Re-Farm / 2017 / Brasil

Re-Roupa + Farm

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O Re-Roupa lançou uma coleção com a Farm. Só o começo de uma nova etapa deste trabalho conjunto que vem pela frente e que se iniciou com a nossa parceria nos cursos. As fotos tão lindas, as peças tão nas loja, tem textos na Elle, na Vogue, no Estadão e nós estamos muito felizes com o resultado . Mas tem várias coisas que eu queria ter dito, que já discuti com um monte de gente tanto em sala de aula quanto em mesa de bar, e que nenhum desses veículos escreveu. Reflexões sobre esse momento de transição necessário nas grandes marcas de moda, mas que ainda tem muito menos apelo do que a pauta “lançamento de coleção”, infelizmente. 

Fazer uma coleção dessas não faz da Farm uma marca sustentável assim como não vai fazer nenhuma outra marca ser, por mais que ao falar deste tipo de projeto muitos insistam em usar este termo. Quem tá nesse canal há algum tempo sabe que a gente não acredita ou defende isso. O nosso objetivo é começar a olhar para o problema dos resíduos gerados pela indústria (toneladas) e propor soluções para ele. Mas esta é só uma parte do que precisa ser feito. Esta coleção não significa que a Farm se tornou referência no assunto mas sim que ela está experimentando seus primeiros passos (em um processo muito coerente). Nem que a partir de agora tudo na empresa mudou como um passe de mágica para que se resolvam todas as suas questões que precisam melhorar. Esta coleção significa, apenas, que esta empresa está disposta a fazer o que muito poucos (ainda) se dispõe a fazer: encarar alguns de seus problemas de frente e buscar resolvê-los de fato, sem ser apenas um argumento de marketing. E entender que isso se faz aos poucos, junto de pessoas e fora da empresa, com visões diferentes sobre a moda, que estejam aprendendo e desenvolvendo soluções. 

É o cenário ideal? Certamente não. Porque no fim das contas a gente ainda tá produzindo mais roupa no mundo. Mesmo que seja Re-Roupa, ainda não temos tecnologia pra lidar com o que sobra dessa produção. Nem planilhas 100% abertas pra vocês entenderem exatamente quanto custou cada parte do produto, nem um monte de outras coisas que a gente considera como mundo ideal pra ter uma cadeia produtiva que pare de gerar tantos problemas pro mundo. A gente näo se contenta com aquele papo de “pelo menos estão fazendo algo”, que para por aí. A gente se contenta com o “estamos dando o primeiro passo, mas sabemos que tem muito chão pela frente”. Estes próximos passos tão na pauta do nosso projeto em parceria com a Farm. A gente tem cobrado por eles e sido ouvida.

Você entrar na Farm de Ipanema e comprar uma peça que foi cortada no quintal da minha casa e costurada na casa da Lucimar, da Gisele ou da Leia sabendo que a gente recebeu pela peça o tanto que a gente pediu e que pela confecção dela dividimos os valores igualmente, é um exemplo da prática que a gente acredita e que aconteceu no processo. A gente ter total liberdade pra pensar as combinacoes e questoes como por exemplo, ter pecas com modelagem ampla, sem tamanho ou genero padrao tambem consideramos um passo importante do processo. Eu e a Luciana visitarmos o galpão da Farm onde tem toneladas de roupa parada e termos noção do tamanho deste descarte ao vivo e a cores é parte deste processo de mudança. A gente propor um live pra vocês perguntarem o que quiserem (com a diretora de marketing da Farm e a diretora criativa do Re-roupa) no lançamento deste projeto, também faz parte desse novo capítulo, já que na maioria das vezes não existe abertura pra diálogo algum na relação com as marcas. 

Fazer uma coleção dessa também não torna o Re-Roupa uma grande marca e nem que este é um caminho único pra gente a partir de agora. O importante pra gente continua sendo o processo. E esse processo vai continuar acontecendo tanto com a grande marca quanto com o projeto social, com a universidade, com o projeto comunitário. Porque pra gente, no mundo ideal mesmo, este tipo de reflexão extrapola nossas timelines e bolhas e alcança os mais diversos setores da sociedade. Afinal de contas, estas são questões de todos, não são só pra quem comprar uma peça dessa coleção. Pra uma atuação muito pra além de consumidores-fornecedores e sim de cidadãos.

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Mari Pelli